A figura paterna como presença fundamental (agosto de 2009)

Pelas características biológicas muito específicas e próprias da gravidez, parto e período de lactação, o papel da mãe foi sempre percebido de forma bastante clara e inconteste, sendo valorizado de forma absoluta nas culturas de todos os tempos. Todavia, a figura paterna nem sempre teve o mesmo sentido e valorização desde sempre. Embora percebida como biológica e socialmente importante para o crescimento infantil, foi somente a partir do desenvolvimento dos estudos em Psicologia e mais particularmente da Psicanálise, que a presença da figura masculina teve sua importância dentro do universo infantil mais claramente compreendida. Algumas pesquisas recentes demonstraram algo bastante interessante. Pais que “conversam” com seus bebês durante a gestação, conseguem após o nascimento, acalmar seus filhos com facilidade quando eles choram, através do som de sua voz.

Tal fato demonstra de forma bastante especial, o quão importante é a formação de um vínculo entre pai e filho desde o início do processo gestacional. O bebê durante os primeiros meses de vida não se percebe como um ser independente e separado de sua mãe. De certa forma, em um grau menor, essa sensação perdura pelos anos iniciais de desenvolvimento infantil. Esse vínculo mãe-bebê que tudo supre, nutre e protege, necessitará ser transformado pela presença da figura paterna, sem o que a criança corre o risco de não conseguir se desenvolver adequadamente. E quando falo sobre uma figura paterna, não quero dizer que ela tenha que necessariamente ser o pai biológico, mas alguém que funcione de forma a cumprir esse papel. Nesse sentido a figura paterna será aquela que proporcionará os limites e interdições, em um sentido psicológico do termo, limites esses tão fundamentais para que a criança possa se inserir em um contexto social de forma adequada, percebendo que não pode fazer tudo o que quer ou realizar de forma absoluta tudo o que deseje.

Não quero dizer que a mãe não imponha limites no processo de educar seus filhos, no entanto, a forma como o pai se coloca possui uma qualidade bastante diferenciada e determinante para o desenvolvimento infantil. Vivemos atualmente em uma sociedade onde as mudanças  e transformações estão ocorrendo de forma intensa e dramática. Os casamentos antes estáveis e considerados “para toda a vida”, estão passando por um gigantesco processo de modificação, onde a célula familiar anteriormente constituída de pai-mãe-filho, se transforma e assume tipos diferentes de estruturação.

A figura paterna antes fortemente associada a um contexto biológico, passa a ser exercida em muitos momentos por figuras como o avô ou o ‘segundo marido da mãe’, nos fazendo perceber claramente que a ocupação desse espaço por uma “figura de pai” torna-se muito mais importante do que a presença de uma figura determinada geneticamente. Nesse sentido, independentemente do formato que a família vai assumindo ao longo de transformações trazidas pelos ‘novos tempos’, a presença de uma figura de pai, seja ele biológico ou não foi, é e sempre será fundamental para que o desenvolvimento infantil possa ocorrer saudavelmente.

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