A simbologia do coração e a ‘cura pelo amor’ (Publicado em dezembro de 2006)

Desde tempos imemoriais o coração tem sido associado à vida afetiva e àquilo que não podemos controlar conscientemente, nem pelo intelecto e nem pela vontade, pois todas as vezes que somos dominados por emoções fortes, as batidas de nosso coração se aceleram. A capacidade humana do sentir é tão importante quanto o ar que respiramos, e nesse sentido, os batimentos cardíacos se mostram como um sinal inequívoco de nossas capacidades emocional e afetiva. Nas mais diversas culturas e ao longo de diferentes momentos históricos, o coração tem sido tratado como um símbolo bastante importante para o Homem. No Egito Antigo ele era considerado o órgão da consciência, indicando através de seu ‘peso na balança’, se o indivíduo havia praticado um maior número de ações boas ou más. Segundo as crenças religiosas daquele tempo, se o falecido fosse um homem de bem, o coração estaria leve e ele seria levado para o mundo dos deuses, caso contrário, ele iria para o mundo das trevas, conforme descrito no ‘Livro dos Mortos’, onde se encontra provavelmente, a primeira representação gráfica do coração. Para a cultura indiana, o coração é a sede do absoluto, enquanto que no Alcorão, o Livro Sagrado Islâmico, a combinação do amor e da inteligência dá origem à “inteligência do coração”. No Livro Sagrado Judaico, a Torá, a palavra coração aparece 190 vezes, e para os cristãos, o coração enquanto símbolo ganha novas dimensões através do culto do Sagrado Coração de Jesus e Maria. É a partir da Idade Média que o coração começa a ser associado aos sentimentos de amor entre homem e mulher, o que perdura até os dias de hoje, através das mais variadas expressões artísticas.

É através de um ‘Coração Aberto’ que podemos vivenciar experiências intensas, profundas, e que trazem um colorido todo especial ao nosso viver. No entanto, embora os indivíduos anseiem intensamente pela experiência do amor, o processo de ‘Abertura do Coração’ nem sempre acontece de forma fácil, e é exatamente aí que começam muitos dos problemas e dificuldades de nossa jornada humana.Dr Rudiger Dahlke em seu livro “Heart-Aches, Heart Disease and the Psychology of the Broken Heart” (As Doenças Cardíacas e a Psicologia do ‘Coração Partido’), descreve o significado simbólico e espiritual subjacente a uma série de diferentes condições cardíacas. Dahlke observa que um ‘Coração Partido’ está, em geral,  por detrás da gênese de muitos dos diversos problemas físicos do coração que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Por incrível que possa parecer, a experiência de ‘amar e ser amado’ é muitas vezes assustadora para alguns indivíduos, e essa dificuldade em lidar com os ‘Afetos do Coração’ pode afetar, em maior ou menor grau, o funcionamento saudável do coração físico, pois um Coração que tenha sofrido mágoas e dores emocionais suficientemente fortes, poderá adoecer fisicamente. A relação entre os sentimentos, o funcionamento físico do coração, e a existência de determinadas sintomatologias, passa pelo funcionamento energético dos indivíduos. As Tradições Esotéricas falam da existência de sete centros energéticos principais ou Chakras. Esses centros captam a energia sutil universal que existe à nossa volta, transferindo-a para os órgãos e glândulas a eles associados. O Chakra Cardíaco se localiza no peito próximo ao coração, sendo o centro energético responsável pelo fornecimento de energia sutil para o coração físico.

É particularmente durante os festejos natalinos que a simbologia do Coração e sua relação com o Amor, se torna mais evidente no mundo cristão. Para a comunidade cristã, o Coração é o símbolo da bondade e da caridade, sendo mencionado nos textos bíblicos centenas de vezes, sempre no sentido de demonstrar o mais importante, o mais íntimo e o verdadeiramente essencial para o Homem na sua relação com Deus. Dentre os avatares ou Mestres da Iluminação que passaram pela Terra, Jesus é percebido no mundo ocidental como o representante maior de entrega e sacrifício, cumprindo sua Missão de Amor Sacrificial Incondicional por todos os indivíduos. O Amor Máximo Ofertado é expresso de muitas formas, entre elas através do Sagrado Coração de Jesus, símbolo do Amor Incondicional e da Paixão Crísticos; e da visão enternecedora e comovente do Menino Jesus durante os festejos natalinos. Podemos sentir claramente que tanto o Cristo-Rei quanto o Menino Crístico, nos apontam para uma promessa de renovação e ‘Cura Interior’, através do Amor Divino que se derrama sobre cada indivíduo, e que, ao mesmo tempo, já existe dentro de cada um de nós. A mensagem crística de Amor do Menino Jesus que nasce na Terra, para que possamos ‘Salvar Nossos Corações’, e do Amor do Cristo-Rei adulto, que nos fala da ‘Dádiva do Amor Incondicional’, nos faz pensar, com toda a certeza, na impressionante intensidade e beleza dos mistérios do Amor Sagrado, essa Centelha Divina que habita a Alma de cada um. O Amor Divino nos re-lembra que nunca é tarde para que possamos ‘Curar Um Coração Ferido’e que, principalmente, nunca é tarde para que possamos seguir os ‘Caminhos do Coração’.

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