Adolescência em um mundo globalizado (Novembro de 2007)

Como nos relacionar com uma realidade quotidiana de transformações tão rápidas e constantes e onde freqüentemente nos sentimos pressionados a responder simultaneamente a uma diversidade de experiências afetivas, sociais e profissionais? Viver em um mundo globalizado tem permitido aos indivíduos o acesso a uma quantidade de informações nunca antes imaginada, trazendo uma qualidade completamente nova para os relacionamentos entre as pessoas. Em um mundo onde a presença ou ausência de outros indivíduos se encontra à distância de um clique de computador, como estruturar nossos relacionamentos e principalmente como torná-los uma experiência mais profunda e plena de significado? Os avanços tecnológicos ocorridos nos últimos vinte anos, têm afetado de forma muito intensa a maneira como as pessoas se comunicam e interagem umas com as outras. Tal fato se mostra bastante evidente nas interações entre os mais jovens, o que nos leva a pensar nas conseqüências e impactos de uma realidade globalizada e virtual em relação à formação da identidade dos adolescentes.

Para os adolescentes o processo de crescimento freqüentemente representa  uma fonte de angústia e ansiedade extremas, pela presença das intensas e súbitas mudanças físicas, hormonais, afetivas, mas principalmente pelas alterações no senso que eles têm de si mesmo. Atravessando questionamentos muito profundos sobre o mundo que os cerca e sobre o espaço que ocupam o adolescente procura entender e estruturar quem ele é, da melhor forma possível, lançando mão dos recursos emocionais e dos comportamentos de que dispõem. Esse período é bastante complicado para todos os envolvidos porquê se por um lado o adolescente necessita ainda de muito amparo e segurança, por outro lado os valores familiares e sociais são colocados ‘em cheque’ através da transgressão de normas e limites que podem inclusive colocar sua própria integridade física e emocional em risco.

Em sua jornada por uma construção de identidade que o diferencie de pai e mãe, o adolescente vai buscar apoio nos aspectos concretos daquilo que é aceito e validado pela ‘sua tribo’. Nesse sentido, o acesso a recursos eletrônicos e tecnológicos sofisticados é o que se apresenta como o ‘passaporte’ para a entrada em determinado grupo. O uso de computadores de última geração, de celulares sofisticados, Ipod’s e MP3; o envio de mensagens, o acesso a Internet, a participação em Orkut e salas de chat, são realidades absolutamente quotidianas para os jovens dos dias de hoje. Sabemos que essas são mudanças que estão aí para ficar e por isso não há como se evitar que a utilização de ‘aparatos tecnológicos’ se tornem uma espécie de bússola, de instrumento de navegação para as ‘águas turbulentas’ de um mundo em constante mudança.

Todavia, vale a pena lembrar que independentemente do quão ‘modernas e instrumentalizadas’ a vida dos adolescentes possam ser, os processos de descoberta de Si Mesmo e de estruturação de identidade, continuarão sempre a necessitar de uma ‘bússola interna’ a ser construída em bases sólidas e profundas, através do cultivo de valores elevados, equilíbrio das emoções e estruturação de um “Eu Sou”, que pode começar em níveis físicos, mas que vão para muito além dos recursos materiais de que dispomos.

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