Artes divinatórias: destino ou livre arbítrio? (abril de 2009)

O ser humano em sua trajetória terrena tão plena de desafios e dificuldades, procurou sempre da melhor forma possível, aplacar sua angústia frente ao desconhecido. Em diversos momentos a consulta aos oráculos de todos os tempos surgiu como uma forma de lidar com essa situação, na procura por soluções e respostas. Numa tentativa de controle daquilo que aparentemente surge como incontrolável, o nosso próprio destino, os seres humanos foram buscar em diversos momentos, a solução última para seus problemas em fontes de orientação externas. Oráculos, jogos de adivinhação, magos, xamãs e feiticeiros foram consultados ao longo de milênios, para que fosse desvendado o que estivesse “escrito nas estrelas”, um poder tido como pertencente aos deuses.

Tal situação ainda perdura, de certa forma, nos dias de hoje. O ser humano continua mais do que nunca assolado por dúvidas e angústias agravadas pelas crises financeiras e pelas incertezas do dia-a-dia, o que tem levado um número significativo de pessoas a buscar respostas para seus questionamentos, tentando descobrir o significado mais profundo para sua própria vida e quais os caminhos a seguir. Surge então uma questão bastante controversa: existe destino e se existe, seria ele imutável ou teríamos o poder de modificá-lo pelo exercício de nosso livre arbítrio? As discussões a cerca desse tópico são acirradas e cada vertente filosófica ou religiosa terá a sua forma de abordar essa questão.

No que diz respeito às artes divinatórias como o Tarot, por exemplo, essa questão se torna ainda mais polêmica, se levarmos em consideração que nos dias de hoje profissionais sérios nessa área, passaram a utilizar esse oráculo enquanto fonte de autoconhecimento e de compreensão de níveis bastante profundos da nossa realidade. Poderia o Tarot prever o nosso futuro? A resposta para essa pergunta não seria tão simples de ser encontrada, não fosse o entendimento de que ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, somos muito mais capazes de influenciar a materialização de nosso destino do que imaginamos. Nesse sentido o Tarot surge como um espelho de nossa realidade emocional, como um reflexo da forma como manuseamos energias em nosso dia-a-dia,

e como uma indicação de possibilidades múltiplas que dependerão somente de nossa capacidade de escolha. Respondendo a pergunta anteriormente feita, podemos entender o encaminhamento dado pelas cartas do Tarot, muito mais como um retrato de possibilidades que podem ou não se concretizar em nossa realidade, dependendo em grande parte daquilo que escolhemos num dado momento. Dessa forma, a existência de respostas definitivas que não permitem ao indivíduo exercer sua capacidade criativa deixam de fazer sentido, assim como deixa de fazer sentido falarmos de um destino “pronto e acabado”. Numa perspectiva muito mais ampla podemos entender as artes divinatórias como um instrumento bastante interessante que nos possibilita de uma forma simbólica e fascinante, entrar em contato com o imenso poder de construção de nossa realidade que temos em nossas mãos. E nesse sentido sim, podemos falar da possibilidade de mudança de nossos próprios destinos, pelo exercício cada vez mais consciente de nossas escolhas.

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