Beleza de alma: o encontro consigo mesmo (Outubro de 2007)

Uma das maiores fontes de angústia existencial do ser humano está vinculada à percepção de que somos seres mortais. O medo do desconhecido e a impossibilidade de sabermos com certeza à respeito da existência de ‘vida após a morte’, nos conduz, por assim dizer, a uma tentativa constante de adiarmos ou ‘driblarmos’ tão inevitável desfecho. A busca pela juventude eterna se apresenta como uma das formas encontradas para se lidar com essa fonte permanente de angústia existencial, o que na realidade nos conduz a vivência de uma angústia ainda maior, na medida em que toda e qualquer tentativa de ‘driblar a morte’ apenas adia o inevitável. Sabemos intuitivamente o que ‘agrada aos olhos’.

A Beleza seduz, encanta, harmoniza e instiga, o que faz todos os indivíduos desejarem o Belo para si e dentro de si mesmos, aspirando à manutenção da beleza e da juventude numa tentativa de prolongamento indefinido da Vida. Estamos inseridos em uma sociedade de consumo onde, nenhuma outra atividade sabe explorar melhor esse desejo do que as indústrias da moda e cosmética, agentes que definem padrões de estética frequentemente inatingíveis para os ‘pobres mortais’, provocando um sentimento de frustração e inadequação ainda maiores. Vivenciamos no momento atual uma tentativa constante de transformação de ‘corpos mortais’ em ‘corpos perfeitos’, onde o ideal a ser atingido está para algo muito mais próximo dos ‘Deuses Vênus e Apolo’ do que qualquer outra coisa. Todo esse processo tem originado novas demandas e provocado um fenômeno nunca visto antes: um número cada vez maior de adolescentes e jovens que buscam nos consultórios de cirurgia plástica ‘consertarem’ aquilo que percebem como ‘defeituoso’.

È importante ressaltar que os sentimentos de auto-estima surgem como o resultado de uma multiplicidade de fatores tais como a opinião que o indivíduo tem de si mesmo, o valor que cada um atribui a si próprio, metas e propósito de vida estabelecidas, as fraquezas, as potencialidades e as capacidades de cada ser humano. Mas será que podemos realmente ‘consertar’ os sentimentos de inaceitação de si mesmo e uma baixa auto-estima, como num ‘passe de mágica’, simplesmente através da atuação do bisturi? Poderíamos ficar facilmente tentados num primeiro momento, a responder afirmativamente a essa pergunta, mas se nos permitirmos um questionamento mais aprofundado, vamos perceber que necessidades internas de uma imagem mais positiva de si mesmo, de um maior senso de confiança e satisfação consigo próprio, e de uma maior aceitação de quem somos, somente podem ser encontrados e obtidos através de processos mais permanentes e em níveis mais profundos de compreensão de aspectos que se encontram presentes nos campos do sutil e do emocional.

A beleza física impacta e atrae, mas podemos afirmar com toda a certeza, que não existe nada mais Belo do que alguém que se sente feliz, realizado, pleno de vitalidade por ter aceito ‘um encontro marcado’ consigo mesmo.

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