Deusas deméter e perséfone: mulheres dos novos tempos (Fevereiro de 2008)

Os mitos tratam de questões universais relativas ao ser humano e à busca por sua realização plena. O Mito de Perséfone-Deméter demonstra de uma forma muito bonita, não só o quanto o relacionamento mãe e filha é cheio de nuances, significados e possibilidades inesgotáveis, mas também aspectos do Feminino em toda a sua complexidade. Inicialmente no mito, Perséfone é uma jovem despreocupada que enquanto colhe flores nos campos é raptada pelo Deus Hades, deus dos Mundos Infernais. Deméter, mãe de Perséfone, representação da Grande Deusa-Mãe, inconformada e desesperada pelo rapto de sua filha, em sua imensa tristeza produz a infertilidade da Terra. Hermes, o mensageiro dos Deuses, a pedido de Deméter, parte com a missão de resgatá-la. Todavia, Perséfone antes de deixar os Mundos Infernais, come as sementes de romã ofertadas por Hades,

seu marido, numa referência simbólica ao ‘engravidamento’ da Terra, atitude graças a qual Perséfone não mais pode ser devolvida completamente a sua mãe. Nesse sentido Perséfone  é a própria semente que se abriga no seio da Terra para frutificar no tempo certo, e sendo assim, durante seis meses ela terá que permanecer sob a Terra, e nos outros seis meses estará de volta à superfície. Podemos perceber claramente no mito a alusão às estações do outono-inverno e primavera-verão, e seus respectivos ciclos de plantio e colheita. Deméter enquanto ‘mãe inconsolável’, precisará aprender a ‘abrir mão de sua filha’, compreendendo que os ciclos naturais não podem ser interrompidos, sem que isso acarrete prejuízos para o Todo. O relacionamento existente entre mãe e filha nunca se esgota, ele sempre se desdobra, e é quando Deméter aceita a ‘perda de sua filha’, que Perséfone pode deixar de ser a filha-menina, para se tornar a rainha-mulher no sentido mais amplo da palavra. Em sua descida aos Mundos Avernais durante parte do ano, Perséfone se torna também a representação simbólica de uma descida às camadas criativas mais profundas do psiquismo e do Inconsciente humano, possibilitando no processo de amadurecimento de si mesma, o acesso a capacidades espirituais antes adormecidas.

O mito nos remete às sutilezas, complexidades e beleza do ser feminino que evolui ao passar pelas etapas de crescimento em sua trajetória na Terra, podendo ser percebido não só enquanto a expressão extremamente atual do desenvolvimento das mulheres de nossos tempos, mas também das capacidades ilimitadas de realização de suas potencialidades espirituais e criativas.

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