Espiritualidade e religião: busca de um sentido existencial? (Março de 2008)

O ser humano tem vivido sua trajetória na Terra marcado pelo constante questionamento de quem ele é das razões e propósito para sua existência. Sistemas filosóficos, religiosos e de pensamento surgiram como uma tentativa de se encontrar explicações que possam dar conta de tudo àquilo que não é compreendido em nossa realidade. Em relação a religião, muitos estudiosos afirmam que ela esteve sempre presente nas diversas culturas desde tempos bastante remotos, proporcionando aos indivíduos o alívio para suas dúvidas e dificuldades. Tal como a Ciência e as Artes, a religião é parte integrante e inseparável de toda manifestação cultural, possuindo uma força de tal ordem em relação a forma como as pessoas entendem a si mesmas e ao mundo onde vivem, que todos os movimentos historicamente significativos contaram com aspectos religiosos fortemente presentes.

Embora a uma primeira vista religião e espiritualidade possam ser confundidos, esses termos não são exatamente idênticos. A palavra religião deriva do termo latino “Re-Ligare”, que significa “religação” com o Divino, ou seja, o processo de conexão do ser humano com o Criador. Por outro lado quando falamos de espiritualidade, não estamos necessariamente falando de religião, mas sim da percepção de um sentido espiritual em tudo o que os indivíduos vivem, da percepção de que existe uma realidade muito maior e muito mais abrangente que vai para além dos sentidos físicos. Por esse motivo, podemos encontrar pessoas que não necessariamente pratiquem ou freqüentem cultos religiosos, mas que sejam profundamente espiritualizadas em suas vidas.

Seria essa necessidade de conexão com a Divindade algo inerente à condição humana? Percebemos que apesar de todos os avanços científico-tecnológicos alcançados até o presente momento, os indivíduos sentem que continua “faltando alguma coisa” em suas vidas. O mal do nosso século é o ‘vazio existencial’ e um sentimento de solidão e desamparo profundos. As pessoas estudam, trabalham, ganham dinheiro, saem, se divertem e fazem compras, todavia, um sentimento de falta de propósito e de desconexão espiritual em relação a um sentido mais profundo de nossa existência permanece, ‘abrindo a brecha’ para que comportamentos autodestrutivos como as drogas e o álcool surjam, numa tentativa de preencher esse vazio. O ser humano continua mais do que nunca a buscar um sentido para quem ele é, e para tudo o que faz, fato que tem motivado a ida de pacientes aos consultórios médico-psicológicos, numa tentativa de entendimento do que não vai bem em suas vidas. O trabalho médico-psicológico é de fundamental importância, todavia, fica cada vez mais claro que a tão procurada paz interior somente pode ser obtida de uma forma mais permanente e significativa, através do exercício de um senso de espiritualidade em nosso dia-a-dia, que permita essa ‘re-conexão’ com nosso Eu Espiritual mais profundo.

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