Homens e animais: parceiros em um processo de cura (Fevereiro de 2009)

O relacionamento entre homens e animais é tão antigo quanto a existência de ambos na Terra. Em sua jornada e evolução terrena os homens perceberam desde sempre que os animais poderiam ser tanto fonte de ameaça e perigo, quanto de auxílio e suporte em suas necessidades quotidianas. O surgimento da domesticação dos animais foi um passo além em um tipo de relacionamento que pode ser considerado no mínimo interessante, por ocorrer entre duas espécies tão diferentes. Sabemos que o desenvolvimento das civilizações contou, sem dúvida alguma, com a preciosa e inestimável ajuda de nossos ‘irmãos menores’, que estiveram presentes ao longo de toda a nossa história humana. Todavia, o significado de um relacionamento tão antigo quanto o tempo, vem se transformando no sentido de ir para além do atendimento às necessidades mais básicas do ser humano, passando a assumir um caráter bastante diferenciado ao migrar para um trabalho que poderíamos chamar de ‘mais psicológico’.

Animais como cães, gatos e cavalos, tem se tornado poderosos instrumentos terapêuticos dentro daquilo que tem sido denominado nos últimos anos como ‘pet terapia’ ou Terapia Assistida por Animais (TAA). O suíço-americano Dennis Turner, Ph.D. em veterinária pela Universidade John Hopkins nos Estados Unidos, afirma que os resultados de pesquisas e estudos nessa área, têm demonstrado de forma bastante inequívoca o quanto a terapia com animais é benéfica para os mais variados tipos de situações, desde problemas de ordem física, até problemas de ordem emocional e familiar. Ele afirma também que a companhia de animais beneficia não apenas deficientes ou portadores de doenças graves, mas também o cidadão comum, chegando a dizer de forma ousada que “os animais são a cura do século XXI”.

O trabalho terapêutico com animais já é uma realidade bastante divulgada em alguns países como EUA e Bélgica, e começa a ser implantado e mais aceito no Brasil, exatamente pela validação científica que vem ocorrendo em outros países.  Resultados obtidos por pesquisas realizadas pela Universidade da Califórnia com pacientes cardíacos internados, por exemplo, demonstraram que os níveis de pressão arterial e pulmonar e de ansiedade foram bem menores em pacientes submetidos à abordagem terapêutica com animais. Tais resultados animam os pesquisadores que acreditam que esse tipo de terapia é uma excelente estratégia para o manejo de pacientes hospitalizados com problemas cardíacos. A pergunta que de certa forma desperta nossa curiosidade seria, qual a razão para o sucesso desse encontro terapêutico entre homens e animais? Como dois seres tão diferentes podem se ‘ajudar’ mutuamente? Acredito que a resposta pela qual a terapêutica animal funcione seja simplesmente encontrada numa forma de amor tão profundamente buscada, mas nem sempre conseguida: o fato de querermos ser amados de uma forma absolutamente incondicional. E por mais incrível que possa parecer, e todos aqueles que convivem com animais sabem disso, esse é o tipo de amor que esses animais tão especiais conseguem dar a seus parceiros humanos.

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