Levando a sério a depressão pós-parto (Dezembro de 2007)

Apesar de ser um assunto que ainda causa controvérsias, depressão pós-parto não é bobagem ou tampouco representa uma tentativa de se chamar a atenção. Conhecida também como post partum blues, ela se apresenta como um quadro que deve  ser tratado com a devida consideração pelos profissionais das áreas de saúde, pelos possíveis prejuízos emocionais que podem ocorrer e que venham a afetar o estabelecimento de um vínculo saudável mãe-bebê. Sabemos que ao nascer o indivíduo já trás características muito próprias na forma como irá funcionar na realidade física. Todavia, na sua extrema dependência dos cuidados maternos, o bebê precisa que sua mãe esteja disponível física e emocionalmente para ele, processo que se torna bastante complicado quando estados de depressão que podem ser mais ou menos acentuados estão presentes. Quando levamos em conta que 50% a 80% de mulheres sofrerá de depressão pós-parto em graus variados e com duração de tempos diversos (4 a 6 semanas), percebemos que ela deve não somente ser levada a sério, mas que também deve ser reconhecida enquanto algo que em muitos casos, vai demandar cuidados médico-psicológicos adequados.

A depressão pós-parto geralmente ocorre durante a primeira semana do nascimento do bebê e os sintomas mais freqüentes são o choro sem razão aparente, fadiga, humor deprimido, ansiedade, confusão e lapsos curtos de memória. Quando a mulher encontra a possibilidade de expressar seus sentimentos, contando com o apoio familiar, o quadro apresenta uma chance de se reverter em um período mais razoavelmente curto de tempo. No entanto, algumas mulheres experienciam a depressão pós-parto de uma forma mais aguda e comprometedora, podendo chegar ao ponto de uma Psicose Puerperal, cujos sintomas são mais intensos e duradouros, havendo a presença de transtornos psiquiátricos mais graves. Alguns fatores tais como uma gravidez não planejada, o desamparo familiar, a gravidez em adolescentes e a falta de segurança sócio-econômica podem desencadear um quadro depressivo quando a mulher acredita que a responsabilidade de se tornar mãe  foi um mal para si mesma e para sua vida.

No entanto, mesmo aquelas mulheres que passaram por gestações tranqüilas e que contam com o apoio familiar, podem vir a passar por um pequeno período de depressão pós-parto. A explicação para isso pode ser encontrada não só nos aspectos mais hormonais do processo, mas também em aspectos mais psicológicos, se entendermos esse tipo de depressão enquanto a expressão dos sentimentos associados à “perda do bebê idealizado que se tem dentro de si”. A imagem do bebê ‘dentro da barriga’ está muito longe do bebê real. A mãe imagina que ele irá dormir a noite inteira, mamar de 3 em 3 horas, e que sua rotina pouco vai se alterar. Essa imagem de um bebê ideal necessita ser integrada à imagem do bebê real que chora, demanda atenção constante e faz a vida da mãe e de todos ‘virar de cabeça para baixo’. Ser responsável por uma nova vida tem o seu aspecto assustador, por outro lado, com gentileza e os cuidados necessários, essa fase inicial de adaptação se processa, e mãe e bebê encontram juntos o seu novo caminho.

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