Maternidade Tardia: Uma Escolha Emocional ou Uma Imposição Profissional? (Julho de 2010)

Basta olharmos mais atentamente para as filas de parquinhos de diversão, portas de escola de classe média ou para o público que freqüenta as piscinas de pousadas, e hotéis-fazenda espalhados pelo país, para percebermos a presença de um fenômeno nunca antes experimentado pela sociedade: o começo da maternidade por volta dos 40 anos de vida da mulher.

Tal fato antes impensável, vem se tornando cada vez mais freqüente graças aos avanços das técnicas de inseminação artificial e inseminação in vitro, recursos disponíveis para quando a concepção de forma natural não acontece.  Se em algumas décadas passadas a maternidade freqüentemente ocorria como uma “obra do acaso” pela ausência de métodos anticoncepcionais eficazes, nos dias de hoje ela passa a fazer parte de uma agenda feminina que busca conciliar o desejo de ser mãe com as imposições de uma vida profissional bem-sucedida.

A necessidade de se “driblar” os condicionamentos biológicos da espécie, através de uma maternidade tardia que permita a consolidação de uma carreira profissional, encontra nos avanços médicos um importante aliado. Mais precisamente desde o final da Segunda Guerra, a mulher vem gradualmente ingressando no mercado de trabalho de forma mais efetiva, qualificando-se no mesmo pé de igualdade que os homens. Tornou-se bastante comum termos mulheres que assumem cargos de grande responsabilidade em ambientes anteriormente de domínio masculino.

Isso inevitavelmente trouxe como conseqüência um repensar das responsabilidades procriativas da mulher, sendo adiando pelo tempo maior possível um processo que antes era vivido de forma mais imediata. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de mulheres que se tornou mãe pela primeira vez ao redor dos 40 anos dobrou nos últimos 25 anos. Tal situação aponta para a construção de um novo desenho social e familiar cujos efeitos somente serão mais bem compreendidos nas próximas décadas: indivíduos com 30 anos de idade cujas mães estão na faixa dos 70.

Levando-se em consideração o tempo médio de vida do brasileiro, e se os filhos seguirem os passos de suas mães, talvez o número de avós comece a se tornar cada mais reduzido, sem mencionar a figura dos “bisavós” que muito provavelmente se tornarão ‘figuras em extinção’. No entanto, há que se pensar que embora os aspectos financeiros e profissionais estejam equilibrados, a maternidade tardia não vem a diminuir os aspectos psicológicos envolvidos na gravidez.

 

Muito pelo contrário. Somado aos fatores inerentes de transformações físicas e emocionais típicas da maternidade, são acrescidos os fatores de extrema ansiedade pela segurança de si mesma e de seu bebê. Nesse sentido, vale a pena pensar no preço extra que essa “modernidade” acaba cobrando às mulheres, que mais uma vez, embora possam contar com o apoio de seus companheiros, se percebem como a parte mais responsável num processo nada fácil de tomada de decisão.

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