Maternidade: um processo em permanente construção (maio de 2009)

Embora todas as mulheres nasçam aparelhadas biologicamente para conceberem e se tornarem mães, a maternidade não é um processo ‘natural’ ou ‘instintivo’ como a maioria das pessoas costuma acreditar. A construção da relação mãe-bebê é extremamente delicada e cheia de nuances, sendo sabidamente dependente de aspectos emocionais que vão ‘colorir’ e influenciar de forma bastante forte, a maneira como o relacionamento materno-infantil irá ocorrer. É interessante notar o fato de que as atitudes maternas são igualmente influenciadas por fatores sócio-culturais de uma forma muito mais determinante do que poderíamos supor. Estudos antropológicos referentes ao assunto, concluíram o quão fortemente os valores da classe social na qual a mulher está inserida determinam de uma maneira bastante intensa o processo de construção do relacionamento entre mães e filhos.

Dados obtidos em um estudo feito em Chicago (Helene Lopata, Occupation: Housewife. New York, OUP, 1971), revelaram que as mulheres menos cultas eram as que mais freqüentemente afirmavam não ter problemas para criar os filhos por saberem o que tinham que fazer e como fazê-lo com relativa facilidade. As mulheres que possuíam somente uma formação secundária, admitiam muitas vezes sentimentos de impotência na criação de filhos obedientes, felizes e disciplinados, apresentando uma certa dose de ressentimento quanto ao seu estilo de vida e perspectivas. Já as mães com formação universitária priorizavam um tipo de preocupação mais voltado para o fato de serem ou não boas mães, se considerando responsáveis pelo desenvolvimento emocional e criativo de seus filhos, e sentindo-se ansiosas perante a hipótese de não proverem todas as condições necessárias ao pleno desenvolvimento das aptidões de sua prole.

Independentemente das condições sócio-culturais, todas as mulheres possuem em comum os desafios inerentes ao exercício da maternidade, especialmente se levarmos em consideração o fato de nos encontrarmos presentemente inseridos em uma sociedade altamente complexa, tecnológica e competitiva, o que leva às mães a se verem cada vez mais pressionadas a darem conta de um papel que precisa ser, de certa forma, vivenciado para além do meramente biológico. Nesse sentido, o ‘tornar-se mãe’ está cada vez mais associado a um processo que leva a mulher a se transformar e a se reconstruir permanentemente, desenvolvendo uma criatividade e uma flexibilidade tão necessárias nos dias de hoje. Isso não tem sido uma tarefa fácil, muito pelo contrário. Nunca o papel materno foi tão questionado e ‘colocado à prova’, aliado ao fato de que as novas gerações parecem já nascer “aparelhadas com chips mentais e emocionais” muito diferentes do que acontecia em gerações anteriores. Todavia, independentemente de todos os desafios a serem enfrentados, a maternidade continua a ser, com toda a certeza, uma das aventuras mais fascinantes da jornada humana.

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