MEDO E CULPA, NOSSOS PIORES INIMIGOS

medo e culpa 2Há décadas tenho dedicado minha vida e minha prática profissional ao estudo dos incríveis meandros emocionais e constantes desafios espirituais que todos nós enquanto seres viventes dessa terra temos que experienciar, transformar e ultrapassar. Em minha prática de muitos anos enquanto psicóloga e terapeuta observo com uma certeza cada vez maior o quanto dois sentimentos muito específicos, e em torno dos quais todos os outros orbitam, são os responsáveis por nossos bloqueios, angústias e anseios não correspondidos: o medo e a culpa.

Basta olharmos a expressão dos bebês e crianças muito pequenas para percebermos o quanto eles estão abertos da maneira mais incondicional possível às experiências que a vida possa trazer, sem qualquer tipo de barreira ou obstáculo. Para esses pequeninos a vida é um palco de ação onde o novo e o inusitado podem ser explorados de forma confiante. Mas vamos crescendo e por diversas e múltiplas razões a capacidade de ousar e de arriscar com coragem passos nunca antes experimentados, vai sendo mutilada e se tornando empobrecida pelos receios de nos machucarmos emocionalmente. Passamos a acreditar que o mundo vai se tornando perigoso e a segurança interna com a qual nascemos vai se perdendo.

O medo se instala em nosso ser ao longo de nosso crescimento. Muitas vezes fruto de pais que tiveram e ainda tem suas próprias questões não resolvidas, e que de forma inconsciente transferem suas inseguranças para seus filhos. Perguntas do tipo ’e se eu tentar e não conseguir? ’e se eu tentar e conseguir, o que farei com isto?’ ‘e se eu não for compreendido?’ ‘e ‘se não der certo?’ ’e se… e se…’ Pronto. O medo instalado em nossa alma passa a nos controlar em nossas mínimas ações. E a vida vai ficando sem graça. E vamos ficando prisioneiros de nós mesmos. E perdemos lindas oportunidades. E nos sentimos muito menos do que somos. E vamos nos tornando pequenos de alma.

Quanto à culpa, tanto a consciente, mas principalmente a inconsciente, através de anos de atuação e observação clínica, percebo como sendo um dos sentimentos mais perniciosos e devastadores que possam existir. A culpa leva a um circulo vicioso sem fim, onde imaginariamente falando o indivíduo ficando rememorando a cena ocorrida que deu origem a tal emoção, numa tentativa “mágica”, por assim dizer, de dar um desfecho final diferente ao que realmente aconteceu. Tentativa essa que se torna totalmente frustrada quando ele se dá conta de que esse movimento é impossível. E fica tentando ‘voltar no tempo’ minutos antes ao ocorrido, como se isso pudesse desfazer o fato consumado. E o que é que isso acarreta? De tanto que o indivíduo se vê aprisionado na sucessão sem fim de tentativas imaginárias de anular o desfecho materializado, esse processo acaba por originar aquilo que chamo de ‘anti-matéria’ e que vai simplesmente, de uma forma para mim ainda não muito compreensível, mas que de fato acontece, atacar, interferir e sabotar aquilo que mais desejo conseguir e alcançar na vida. A culpa simplesmente destrói qualquer possibilidade criativa de evolução. Algo muito grave que precisa urgentemente ser resolvido se quisermos seguir adiante.

O que quero dizer é que se torna imperioso que possamos não só nos perdoar de verdade e de coração pelos ‘erros’ cometidos (afinal somos extremamente humanos e vamos fazer muitas e muitas bobagens ao longo da vida), mas também nos dar conta do quanto já conseguimos coisas incríveis ao longo dos anos de crescimento. Precisamos finalmente compreender que o medo só nos faz reduzir a nossa capacidade de nos tornarmos autênticos e independentes para sempre. Parafraseando dr Bach em seus comentários sobre a ação dos florais, quando nos libertamos do medo e da culpa, de uma forma muito profunda e transformadora, será como ‘ como a neve que derrete ao sol’. E poderemos novamente ver o chão que pisamos e as flores que dele irão brotar. Não só se o desejarmos, mas se assim humildemente o permitirmos.

2 Responses so far.

  1. Noely disse:

    Acredito que para mim pessoalmente falar de “medo e culpa” poderia até ser associado ao tema anterior do “ser diferente”. Fugimos do preço a ser pago por sermos nós mesmos, mas, a vida sempre nos coloca em situações onde precisamos exercitar e enfrentar justamente a colheita do prejuízo daquele “preço que não queríamos pagar”. É quando amadurecemos e vemos que tudo estava apenas na nossa mente e até no modo de encarar a própria vida.

    Agradeço pelo texto. Grande abraço, Mônica !

    Noely

    • Noely bom dia!

      Extremamente pertinente sua colocação entre o `medo e a culpa` e o `ser diferente`, realizando uma síntese entre os dois textos que escrevi. Super bem articulado e muito bem percebido!! Na verdade após muitas `idas e vindas`, `altos e baixos`percebemos que não é tão difícil assim sermos nós mesmos. E os frutos disso se tornam permanentes.

      Grata por sua contribuição!!

      Um super beijo em seu coração!

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