Mundo em transformação: a família está em crise? (Julho de 2008)

Nunca antes em toda a estória da humanidade testemunhamos um nível e intensidade de transformações em todos os setores da sociedade tão grandes quanto atualmente. Como não poderia deixar de ser, a família como a temos conhecido até os dias de hoje, não estaria imune aos impactos dessas transformações, o que sem dúvida alguma trás repercussões no que diz respeito aos modelos de atendimento terapêutico, que necessitam modificar o seu olhar e a sua forma de entendimento de vínculos familiares em transformação. Podemos conceituar a família como um sistema aberto, onde seus elementos possuem atribuições, direitos e responsabilidades específicas, compartilhando sentimentos e valores, formando laços de interesses e reciprocidade, e desempenhando um importantíssimo papel no que diz respeito à manutenção da saúde e equilíbrio emocional de seus membros. Muito tem se falado sobre o quanto a família moderna está em ‘crise’.

No entanto, podemos perceber através de um olhar mais atento, que aquilo que muitos denominam como a ‘crise na estrutura familiar’, pode ser entendido não propriamente como o enfraquecimento dessa instituição, mas como o surgimento de novos modelos de funcionamento que vem desafiar o tradicional modelo ‘pai-mãe-filhos’. O número crescente de divórcios e novos casamentos, a mudança e questionamentos profundos dos tradicionais papeis masculino e feminino, os processos de legalização de uniões homossexuais e adoção de crianças, um número maior de mulheres que decidem ser mães solteiras submetendo-se à fertilização in vitro, são alguns dos diversos fenômenos responsáveis pelo surgimento cada vez maior de padrões de funcionamento familiar bastante diferenciados daqueles tradicionalmente aceitos pela sociedade. Todas essas mudanças poderiam nos levar inicialmente a pensar que a família estaria em processo de “extinção”,

através do surgimento de estruturas familiares do tipo ‘mãe-avó-filho’ ou ‘padrasto/madrasta-filho’. Na verdade, o que a família está buscando, é resgatar, manter e preservar a estabilidade (e sobrevivência) emocional de seus membros, em um mundo em constante transformação, independentemente de seus vínculos biológicos, que são importantes e necessários, mas que não esgotam a capacidade que os indivíduos têm de expressão do amor e da afetividade. Em todos os tempos históricos, a estrutura familiar foi se alterando sempre com o objetivo e propósito de se adequar às necessidades humanas de cada momento. O que vemos hoje em dia não é muito diferente disso. Na realidade, a família se constitui em uma célula de funcionamento através da qual seus membros se abrigam, buscando o apoio necessário para sua existência física e emocional. Mais do que nunca essa ‘qualidade de sobrevivência’ tem se expressado através do surgimento de novos modelos, onde na verdade, o que realmente importa, é que a família,

independentemente de seu “desenho”, possa ser o ‘porto seguro’ tão necessário para o desenvolvimento dos indivíduos. E por mais paradoxal que possa parecer, ou que os indícios externos possam demonstrar, ela continua a cumprir ‘ao seu jeito e ao seu modo’ a sua missão.

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