O Inconsciente, Dimensão ‘Mágico-Misteriosa’ Que Faz Tudo Acontecer.

Com os Estudos Sobre Psicanálise Sigmund Freud, uma das mais fascinantes e controvertidas personalidades de nossa História Contemporânea, introduziu o conceito sobre o Inconsciente, transformando para sempre a forma como entendemos a mente humana. Freud fez parte de um tempo no qual a questão da sexualidade era tratada de forma absolutamente privada. Falar sobre sexo franca e abertamente era algo impensável para uma sociedade de comportamento vitoriano, onde restrições não faltavam nesse sentido. Terapeutas não existiam e as pessoas com problemas psicológicos não tinham a quem recorrer. Pacientes psiquiátricos eram isolados e tratados muitas vezes das formas mais bárbaras para nossos conceitos atuais. E foi no meio de tudo isso que Freud em 1886 começou a tratar seus pacientes de uma maneira simples, mas bastante radical e inovadora: ele os escutava atentamente. Isso não era o comum para os médicos da época, acostumados que estavam a prescrever o medicamento necessário para as dores e sintomas físicos, mas que não ouviam o relato da dor psíquica de seus pacientes. O que hoje pode ser considerado absolutamente normal e até esperado, naquela época se apresentou como totalmente inovador. O objetivo de Freud era fazer seus pacientes falarem o máximo possível sobre tudo e qualquer coisa. Nenhum assunto em seu consultório seria considerado um tabu, dando origem à técnica da livre associação que permitiria além da análise de sonhos e interpretação de atos falhos, entre outras técnicas surpreendentes para a época, o acesso a camadas do inconsciente bastante reveladoras.

Se seus métodos eram considerados ‘estranhos’, mais bizarra ainda a teoria que os fundamentava. Pelo menos naquele momento histórico. Freud acreditava que no nosso Inconsciente seria a dimensão onde nós enterraríamos, por assim dizer, as experiências mais dolorosas, os conflitos mais difíceis e os pensamentos mais inaceitáveis para nossa consciência, para que pudéssemos sobreviver emocionalmente e seguir adiante. Mas aquilo que durante um certo tempo traria um alívio necessário, tornar-se-ia a longo prazo a raiz de muitos, senão da totalidade de nossas dificuldades emocionais. Freud acreditava que através de sua metodologia ele poderia trazer à superfície tais conteúdos, permitindo ao paciente confrontar-se com seu lado mais obscuro, diminuindo sua ansiedade e eventualmente suavizando seus sintomas. Considerado um ‘radical delirante’ pela sociedade médica vienense, foi preciso algum tempo e muita persistência e trabalho dedicado, para que ele pudesse enfim fazer o mundo aceitar e integrar em si mesmo um conceito tão revolucionário. E isso felizmente aconteceu. Todos nós hoje em dia utilizamos expressões psicanalíticas que se tornaram até mesmo jargões em nossas conversas diárias, como um fundamento para nossa forma de ver o mundo, forma essa que nunca mais foi a mesma depois de sua época. Freud pode ser contestado academicamente em diversos pontos de sua teoria, pois muito evoluiu até hoje, mas sem sombra de dúvida, o conceito de Inconsciente veio para transformar em definitivo os paradigmas com os quais estruturamos nossa sociedade e a forma como entendemos a nós mesmos.

 

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