O pensamento positivo funciona? (Outubro de 2008)

Filmes como “O Segredo” que tem sido assistidos por milhares de pessoas, procuram abordar e responder a questionamentos básicos que todo ser humano apresenta em sua vida: ‘De que forma posso obter a realização de meus desejos? ‘Como posso construir minha vida de uma forma mais prazerosa?’, ‘Será que o pensamento positivo é o suficiente para garantir a concretização de meus sonhos?’ A referência à força do pensamento embora esteja sendo apresentada hoje como uma grande novidade, é algo que já vem sendo mencionado de diferentes formas e maneiras em fontes como a própria Bíblia, onde se diz que “o Homem é aquilo que pensa”, ou quando Buda dizia que “Tudo aquilo que somos é o resultado do que pensamos”, ou quando séculos mais tarde William James, eminente psicólogo e filósofo afirmava que “A convicção cria o fato real”.

No filme “O Segredo” é apresentado o conceito de que a expressão  positiva de nossos desejos é o que garante a sua realização. Isso poderia ser explicado pelo fato de que o nosso pensamento por ser ele próprio energia, apresenta a capacidade de se conectar a certas energias circundantes por uma semelhança de vibração, atraindo para nossas vidas como um “imã”, tudo aquilo com o qual encontra uma ressonância. Embora esse conceito nos traga uma visão mais otimista para as nossas vidas, ao mesmo tempo percebemos o quanto isso nos torna incrivelmente mais responsáveis pela construção de nossa realidade. Sendo assim, se tudo é uma questão de ‘atração energética’, como explicar o fato de que ainda que freqüentemente pensemos positivamente, nem sempre conseguimos concretizar aquilo que projetamos e idealizamos?

Qual a razão pela qual em diversos momentos essa ‘Lei da Atração’ parece não funcionar? Estudos realizados pelas neurociências demonstram que as mesmas áreas cerebrais são igualmente ativadas quando percebemos os objetos com os órgãos dos sentidos e quanto eles são simplesmente imaginados. Isso nos permite o entendimento de que aquilo que o nosso cérebro considera como “real” apresenta uma vinculação muito mais estreita do que poderíamos imaginar com a vivência de nossas experiências internas, do que propriamente com aquilo que observamos “lá fora”. Um outro aspecto a ser levado em consideração é o fato de que muitas vezes estamos ‘pensando’ de um jeito e ‘sentindo’ de outro. Nessa ‘briga interna’, que na maioria das vezes é inconsciente, o desejo acaba sempre vencendo o pensamento. Por esse motivo não basta apenas pensar ‘positivamente’. É necessário que tanto o pensamento quanto o desejo e a ação, estejam acontecendo de forma suficientemente alinhada e coerente, para que nossos projetos sejam manifestados e se concretizem. Na verdade, o grande “segredo” de toda essa estória, é a possibilidade de nos tornarmos cada vez mais conscientes de quem realmente somos.

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