O que está para além da “guerra entre os sexos”? (Setembro de 2007)

O que é que homens e mulheres mais desejam nos relacionamentos afetivos? Como seres tão diferentes em sua constituição biológica, emocional e energética, podem conviver harmoniosamente? Será que homens e mulheres podem encontrar pontos em comum que superem suas diferenças? Homens e mulheres possuem anatomias físicas e energéticas diferenciadas, comunicam-se de forma específica, expressam (ou não expressam) suas emoções em graus diversos. Embora não tão evidente num primeiro olhar, os relacionamentos humanos são grandemente influenciados por nossa herança biológica ancestral e pela conformação de nosso cérebro. No início dos primeiros grupamentos humanos, o relacionamento homem-mulher era basicamente determinado por suas características físicas e herança biológica, bastante associados à questão da sobrevivência. A estrutura física masculina extremamente muscular e ativa  permitia aos homens serem os responsáveis pela caça, pela defesa de suas tribos e pela manutenção e proteção de sua família. Por outro lado, a especificidade do corpo feminino característica dos atos de gestar e parir colocava as mulheres numa condição física mais vulnerável, e por isso mesmo mais dependente.

Os seres humanos ‘saíram das cavernas’, as culturas e cidades se desenvolveram trazendo formas mais complexas de estruturação e organização sociais, todavia, por mais que os indivíduos se percebam enquanto ‘seres civilizados’, uma parcela bastante grande do relacionamento homem-mulher é ainda determinada por suas heranças biológicas. As mulheres conseguiram alcançar sua independência e autonomia, no entanto a escolha de seus parceiros está, em muitos momentos, inconscientemente vinculada às mesmas necessidades de proteção e cuidados demonstrados por suas ancestrais. Homens musculosos e bem sucedidos atraem as atenções femininas, não porquê se esteja apenas ‘interessada em dinheiro ou músculos’, mas por que isso representa uma melhor capacidade de sobrevivência.

Da mesma forma, a atração que os homens sentem por mulheres de ‘corpo violão’, reflete a preferência ancestral por aquela que teria os quadris mais largos, e conseqüentemente, estaria mais bem equipada para gerar filhos, correndo menores riscos de problemas de parto que pudessem levar à morte. O grande desafio nos dias de hoje reside exatamente na capacidade que homens e mulheres necessitarão desenvolver, para lidarem com um mundo muito mais complexo e que demanda uma flexibilidade de comportamentos cada vez maior. É nesse sentido que uma ‘solução de compromisso’ entre a inegável presença de nossas características raciais humanas ancestrais e o desenvolvimento de formas mais complexas de se relacionar, se constitui no grande desafio para que essa “dupla possa dar certo”.

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