PAI, MÃE E FILHO: ASPECTOS KÁRMICOS E EMOCIONAIS NA RELAÇÃO TRIANGULAR

familiaHoje quero falar um pouco mais especificamente sobre uma temática de grande importância: a relação edípica enquanto estruturante de nossa personalidade, que se em um primeiro momento é fundamental, num segundo momento necessita ser transcendida para que nos tornemos seres plenos e aptos a viver nossas próprias vidas.

Podemos enquanto seres tecnologicamente desenvolvidos e altamente especializados acreditar que o ‘império da racionalidade’ nos define em nossas ações. Mas na verdade é nas dimensões inconscientes que se ocultam as razões pelas quais nos comportamos e reagimos de determinadas formas. Psicanaliticamente falando, e Freud tinha muita razão nesse quesito, a relação triangular pai, mãe e filho trás aspectos altamente benéficos para a estruturação de nossa personalidade. Sem essa triangulação não há como se tornar um ser que faça parte de uma civilização construída. Mas aquilo que nos serve enquanto organização e abertura para o crescimento pode vir a se tornar uma ‘teia de três pontas’ que precisa ser rompida se quisermos alcançar a plena individuação. A paixão que meninos e meninas vivenciam pelo genitor do sexo oposto necessita se transformar em amor filial que conduza a uma saída saudável da família em busca de seu parceiro ou parceira na vida. De uma forma idealmente esperada filhos e filhas precisarão abrir mão do amor edípico inconsciente, em prol da escolha de um parceiro para construção de suas jornadas em evolução. Esse processo leva alguns anos para ser completado, enquanto mamíferos que somos, onde os cuidados com a prole duram um largo espectro de tempo.

Durante muitas décadas a Psicologia e a Psicanálise descreveram as qualidades das relações familiares somente em termos do campo emocional, mas hoje sabemos que elas estão também (e principalmente) bastante associadas a questões kármicas trazidas em nossa memória espiritual. Não escolhemos nossos pais e mães ‘por acaso’. Muito pelo contrário. E nesses movimentos da vida tanto podemos ser gerados por seres por quem sentiremos um grande amor ou um profundo desconforto. E tais sentimentos possuem na maior parte das vezes raízes muito “antigas” trazidas que são de existências muito anteriores a presente encarnação. Fazendo uma síntese da leitura psicanalítica e espiritual (e conversando aqui com meus botões), gosto de imaginar que na enorme inventividade do “Grande Arquiteto”, o amor edípico foi criado como uma forma muito natural para a criança de possivelmente suavizar antagonismos pretéritos que possam estar profundamente enraizados em seu ser, fruto de experiências ancestrais bastante difíceis. E nesse contexto a Vida em sua infinita sabedoria busca permitir que o amor cure todas as feridas, principalmente aquelas sobre as quais nada sabemos mas que estão lá para serem resolvidas.

O que podemos desejar é que nessa oportunidade de ‘reencontro’, pais, mães e filhos possam finalmente perdoar o que necessita de perdão, compreender por vezes o incompreensível, amar e ser amado apesar de ódios passados, transcendendo os limites rígidos de todo um enquadre imposto por padrões presentes em nossa bagagem espiritual. E dessa forma através da visão de uma Psicologia Espiritual, a tão conhecida ‘resolução da etapa edípica’ se torna, e assim esperamos, não só a cura para ‘males muito antigos’, mas a possibilidade de transcendência dos fatores impeditivos para nosso crescimento, onde a verdadeira compreensão dos indivíduos se traduzirá no entendimento da interface entre o humano e o divino.

2 Responses so far.

  1. Querida e grande “Ser” espiritual encarnada para sua evolução e para nos trazer tanta sabedoria, ensinamentos e aprendizagem,

    Dizer que este texto seja maravilhoso, acho pouco. Desejo que todos que o lerem possa introjetá-lo (termo da psicanálise), assim descobrirão que o amor, reconhecimento, gratidão aos país torna-se esta “Trindade” equilibrada permitindo assim, um passo à diante para a evolução de nosso “SEr Divino”.
    Mais uma vez, obrigado Mônica por compartilhar tanta sabedoria.

    Que a Luz Divina lhe envolve hoje e sempre.

    • Aluísio amigo tão querido, suas palavras são um reflexo para mim do quanto precisamos sempre nos lembrar da necessidade de irmos adiante, mais além e com mais profundidade nos relacionamentos, principalmente com nossos pais. Tendo resolvido as questões dolorosas de um passado seja ele recente ou mais antigo, é o grande “X” da questão. Gratidão imensa por estar sempre me acompanhando tão de perto em minha caminhada. Amigos como você tem sido uma dádiva divina, um presente magnífico em minha vida.

      Um grande beijo de luz em seu coração!

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