QUANDO ACEITAR O INACEITÁVEL É A SOLUÇÃO

Viver nessa terra nem sempre é exatamente muito fácil, especialmente quando temos que lidar com situações do corpo físico relativas à doença e à saúde. É claro que podemos apontar causas orgânicas para o surgimento dos desconfortos físicos, mas hoje sabemos muito bem que na realidade, eles começam em níveis bastante sutis de nossa existência antes de se manifestarem mais visível e materialmente falando. Ao longo de nossa História os indivíduos em sua aflição sempre procuraram de alguma forma entender e melhor explicar o porquê do adoecimento. Em nossa trajetória de tempo e espaço, teorias explicativas surgiram uma após a outra, em diferentes contextos sociais, culturais e de época, para que pudéssemos resgatar da melhor forma possível o estado perdido de harmonia pessoal. E assim temos evoluído.

A doença é sempre um “problema” e como tal demanda imperiosamente que seja resolvida e ‘afastada’. No entanto a cada contexto histórico a forma como fomos interpretando seu significado, foi assumindo características e qualidades muito próprias em seu conteúdo. Elas já foram atribuídas a ação dos deuses, ao castigo divino exercido e executado na terra, a questões raciais e muitas vezes, infelizmente, ao preconceito, à má informação e ignorância. Com a evolução da Medicina teorias orgânicas explicativas ocuparam o lugar antes preenchido pela Divindade e pelas possibilidades culturais e religiosas. O desenvolvimento da Psicologia, Psicanálise e Psicossomática trouxeram ainda mais luz e mais avanços nessa questão, permitindo nos sentirmos mais fortalecidos e menos à mercê dos acontecimentos.  É claro que não estou desmerecendo a ação de vírus e bactérias, mas há que se entender que eles não são totalmente a ‘causa das doenças’, e sua entrada no organismo somente acontece quando existe a presença de emoções mais densas e de doses substanciais de sofrimento em suas mais variadas formas, ‘abrindo as portas’ para aquilo que surge enquanto ‘mensagem da alma’ a respeito dos descaminhos que necessitam ser urgentemente corrigidos.

Mas recentemente por conta de minha prática profissional, venho percebendo um ‘algo a mais’ em toda essa questão. Podemos falar da psicossomática e da medicina vibracional, visões mais modernas por assim dizer da gênese das doenças, mas gostaria de trazer uma reflexão que surgiu através de muito pensar e sentir, e de uma maneira bastante inovadora para mim, e a qual tenho me dedicado em meus atendimentos. Não faz muito tempo, me ocorreu que por detrás de todas as causas orgânicas, vibracionais, sutis, espirituais e emocionais, ADOECEMOS PORQUE SIMPLESMENTE NÃO CONSEGUIMOS “ACEITAR O INACEITÁVEL” EM NOSSAS VIDAS. E vocês poderão me perguntar como isso é possível, já que à primeira vista, o “inaceitável” não é para ser aceito. E posso afirmar que por maior que seja meu mais veemente desejo, não possuo a ‘fórmula mágica’ para essa questão. Apenas sei que aceitação não é passividade. Aceitação não é conformismo. Aceitação não é desistência. Aceitação não é negação e muito menos fuga da realidade. Para mim essa qualidade de existência tão difícil de ser alcançada, surge como a possibilidade de compreensão de algo incompreensível. Como a possibilidade de fortalecimento diante do inevitável. Como a permissão dada aos mundos espirituais e à vida para atuarem da forma mais sábia possível, enquanto outras dimensões de nosso ser amadurecem. Quando percebi tal fato, é como se tudo fizesse sentido. Para mim essa nova visão das coisas surge como a ponte entre as mais diversas explicações e teorias sobre a origem dos sintomas, validando cada uma delas em sua contribuição muito particular ao nosso entendimento. Quando o peso da vida se aproxima do insuportável, “aceitar o inaceitável” se define enquanto a costura bem feita dos esgarçamentos dos ‘tecidos de nossa jornada’. E sendo assim, que nossa mão seja firme no ‘corte e costura’ das roupas com as quais iremos preferencialmente nos vestir. Que sejamos artífices e artesãos de nossa mais bela realidade. É com certeza o que podemos, devemos e temos todo o direito a realizar.

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