Relacionamentos virtuais: onde fica o mundo “real”? (Outubro de 2009)

Há aproximadamente um pouco mais de 10 anos atrás, em 24 de outubro de 1994 foi aprovada nos Estados  Unidos pelo Federal World Council, a resolução que definiu o termo “Internet”. O nome foi criado pelo grupo da World Wide Web, dando origem a tão conhecida sigla www presente em todos os sites. Podemos dizer que a partir desse momento histórico o mundo nunca mais foi o mesmo. O mercado de trabalho, as relações comerciais e os relacionamentos familiares sofreram enorme impacto nesse sentido, mas foi principalmente no âmbito das relações sociais e  amorosas que essa influência se fez sentir de forma absolutamente determinante. Estima-se que o Brasil seja um dos países com um dos maiores índices de acesso a Internet e a sites de bate-papo e relacionamentos, algo em torno de 60% de usuários da população mundial.

Como toda a reação às mudanças de hábitos e costumes que ocorreram em gerações anteriores, essa enorme transformação não fugiu a regra. Muitos questionamentos surgiram à respeito do quão desconectadas da realidade as pessoas se tornariam, participando de um mundo virtual considerado”não-real’. A máquina substituiria o contato ente as pessoas? O ser humano se isolaria em um mundo privado em que a satisfação de seus desejos e vontades estariam à distância de um “clique do mouse”? De que forma conseguiríamos estabelecer vínculos de  amor e amizade? No entanto pesquisas mostram que ao que parece, existe uma tendência ao fim da separação entre “mundo real” e “mundo virtual”.

Cada vez mais adolescentes e mesmo uma larga faixa etária de adultos, percebem os contatos virtuais como impregnados das características dos contatos do ‘mundo físico’, onde os vínculos com pessoas desconhecidas na Internet em nada diferiria do encontro com pessoas desconhecidas em ambiente ‘reais’. Por outro lado em um mundo onde o consumismo exacerbado tem chegado a limites inimagináveis, o computador, ferramenta altamente necessária nos dias de hoje, se torna o meio pelo qual passamos a “consumir pessoas”.

Aquilo que poderia ser a princípio uma forma interessante de expandir nossos horizontes afetivos e sociais, se torna em si mesmo, o veículo pelo qual fazemos ‘sumir’ de forma rápida e instantânea, os indivíduos com quem não queremos mais ‘nos relacionar’. Os relacionamentos virtuais trouxeram a existência de novos códigos de comportamento no que diz respeito aos rituais de aproximação, afastamento, e até mesmo de “corte amorosa” entre as pessoas, sendo essa uma questão bastante polêmica e que com certeza vai requerer estudos a serem futuramente desenvolvidos, pois sem dúvida alguma estamos diante de mudanças muito profundas e que vieram para ficar.

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