Seriam as coincidências apenas um acaso? (Janeiro de 2008)

Pensamos em um amigo que não vemos há muito tempo e ele nos telefona logo em seguida. Estamos na dúvida se viajamos de férias para a praia ou para as montanhas, e ao folhear uma revista vemos um anúncio com pacotes promocionais para as lindas praias de uma bonita região no país. Pensamos há dias sobre a solução de um problema, e escutamos na fila do banco alguém que parece ‘nos dar a resposta’. Seriam essas situações apenas simples “coincidências”, ou existiria uma possibilidade de explicação que foge ao pensamento lógico e racional, mas que nem por isso seria menos válida?

Fomos acostumados desde pequenos a explicar o mundo, através de conexões de causa e efeito diretamente relacionadas, aquilo que denominamos como relações de causalidade. Todavia, as ‘estranhas coincidências’ que nos acontecem, parecem desafiar essa lógica. Buscando entender um pouco melhor essa questão, Carl Gustav Yung formulou o conceito de sincronicidade como algo que define acontecimentos que estão associados entre si, não por uma relação de causa e efeito, mas por uma relação de significado entre os acontecimentos, algo que ele também denominou como “coincidências significativas”. Segundo Yung, as sincronicidades expressam uma relação entre conteúdos psíquico-emocionais, dúvidas e questionamentos, por exemplo, e situações externas mais objetivas como a ‘resposta que escutamos na fila’, sem que exista uma conexão aparente mais evidente entre eles.

Um olhar mais atento às sincronicidades que acontecem em nossas vidas, nos faz pensar que elas são reveladoras de algo que não pode ser explicado pela racionalidade a que estamos habituados. Para que possamos começar a compreender as sincronicidades ou “coincidências”, é preciso que busquemos um sentido mais amplo, mais abrangente e mais profundo para nossas experiências. Partindo da idéia de que existe uma Unidade por detrás de todas as coisas, de que tudo e todos estão conectados por ‘fios invisíveis’, fica mais fácil entendermos o fenômeno da sincronicidade como sendo ‘uma porta de vai-e-vem’ que possibilita um intercâmbio entre a realidade de nosso mundo psíquico e os acontecimentos de nosso dia-a-dia, de uma forma muito mais plena de mistério, magia e beleza do que poderíamos pensar. Nesse sentido as sincronicidades ou “coincidências” se tornam os ‘porta-vozes’ de tudo aquilo que busca nossa  atenção, apontando de uma forma surpreendente  para possibilidade de uma realidade mágica em nosso quotidiano.

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