Seriam as doenças mensagens da alma? (Publicado em setembro de 2006)

Como regra geral, percebemos as doenças como um problema que deve ser eliminado a qualquer custo. Para isso, contamos com uma indústria médico-farmacêutica que, sem dúvida alguma, permite aos indivíduos em sofrimento físico, o restabelecimento de padrões de funcionamento mais saudáveis. No entanto, ao eliminarmos pura e simplesmente o sofrimento físico, sem levarmos em conta o significado simbólico e existencial dos sintomas, é como se não recebêssemos uma importante mensagem enviada pelo nosso inconsciente e pelas dimensões energéticas de nosso Ser.

Mas que mensagem seria essa? Uma das diferenças marcantes entre a visão médica tradicional e uma visão holística a respeito das doenças, é a percepção que a visão holística tem a respeito das doenças, enquanto mensagens enviadas pelo nosso inconsciente, como algo positivo para o desenvolvimento emocional e espiritual dos indivíduos, por mais estranho que isso possa parecer. O eminente psicanalista C.G. Jung nos revela que, durante o processo de desenvolvimento dos indivíduos, tudo aquilo a respeito de nós mesmos que preferimos não manter na consciência tornam-se aspectos ‘sombrios’ de nossa personalidade. Embora ‘ocultos nas sombras’, esses aspectos renegados pela nossa consciência continuarão a agir e a buscar sua expressão e integração em nossa personalidade. Jung afirma que o ser humano aspira à realização de sua individuação e à totalidade da experiência, e por esse motivo, os temas psíquicos inaceitáveis, ou aqueles que nos provocam intenso sofrimento emocional, e que permanecem ‘nas sombras’, procurarão todas as formas possíveis de se expressarem, de serem aceitos e integrados na personalidade.

O Dr Rudiger Dahlke, autor dos livros “A Doença como Caminho” e “A Doença como Linguagem da Alma”, afirma que os sintomas e as doenças são mensagens da alma que não estão sendo percebidas pelo nosso consciente. As doenças surgem como símbolo de um sofrimento psíquico que não está sendo expresso ou mesmo reconhecido. Segundo Dahlke, quando temas com os quais não queremos lidar ‘aproximam-se’ demasiadamente de nós, podemos “fazer uma opção” por deixar que eles deslizem dos planos psíquico-espirituais e ‘mergulhem no corpo físico’, originando os mais diversos sintomas. A doença surge então, como tentativa da Alma de se fazer ouvir e perceber, permitindo que padrões mentais e emocionais dificilmente aceitos pela nossa consciência possam ser integrados ao psiquismo. Segundo um entendimento bastante interessante desse autor, o sintoma nos permite uma visão mais honesta daquilo que até então não quisemos ou não pudemos perceber. A presença dos sintomas em nossas vidas nos leva a ter uma visão mais honesta de nós mesmos, pelo fato do corpo demonstrar de forma inequívoca o que se abriga em nossas Almas. Uma paralisia, por exemplo, pode mostrar o quanto o indivíduo se encontra ‘imóvel e paralisado’ no âmbito anímico-espiritual. Os problemas cardíacos, à parte das questões relacionadas ao fumo, a vida sedentária e a obesidade, nos levam a perceber claramente o quanto algumas doenças cardíacas refletem a problemática das ‘questões do coração’ não resolvidas, no que diz respeito a nossa capacidade de dar e receber amor.

O eminente médico inglês Dr Bach, criador de um sistema floral internacionalmente conhecido, afirma que o ser humano se expressa através de dois elementos: a Alma, que é a nossa essência, e a Personalidade que é temporal e material. O nosso bem-estar emocional, mental e espiritual depende de um funcionamento harmônico entre Alma, nossa essência mais profunda, e a Personalidade. A Alma “sabe” perfeitamente qual o propósito maior e mais elevado para nossas vidas, no entanto, em alguns momentos, nossa Personalidade age de tal maneira que os desejos e anseios mais profundos de nossa Alma não são correspondidos. O conflito entre essas duas instâncias se instala e o surgimento das doenças ocorre como a forma encontrada por nossa Alma de chamar nossa atenção para os padrões desarmônicos de funcionamento de nosso Ser.

Tanto Dahlke quanto Bach compartilham a visão de que as doenças enquanto ‘mensageiras da alma’, podem ser entendidas como grandes oportunidades de crescimento emocional e espiritual para o indivíduo, uma espécie de ‘correção de rota’ daquilo que não vai bem em nossas vidas e de resgate de uma conexão com nossas verdades mais profundas. Por isso é importante que procuremos sempre os cuidados médicos tão necessários à manutenção de nossa saúde, mas que ao mesmo tempo prestemos a devida atenção às mensagens enviadas por nossa Alma.

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