SÍNDROME DO NINHO VAZIO: MEUS FILHOS CRESCERAM… E AGORA?

pais e filhosEste final de semana passado recebi a visita de minha tão querida amiga Fátima, com quem compartilho uma amizade extremamente especial de 32 anos. Passamos o final de semana colocando os papos em dia (e foi muita coisa!!), e é claro relembrando tantos e tantos momentos de convívio na criação de nossos filhos, hoje já adultos, independentes e seguindo suas vidas. Com toda a certeza nesses tão preciosos momentos nos sentimos mais uma vez felizes de estarmos juntas, e mais uma vez absolutamente surpresas com o fato de que até ontem (e a sensação que se tem é de ontem mesmo!), compartilhávamos confidências sobre nossas vidas e filhos tão pequenos. Hoje as fotos de seu lindo netinho Rodrigo e de nossos filhos adultos foram o ponto de partida para conversas intermináveis entre duas grandes amigas que testemunharam e compartilharam tantas e tantas coisas.

Os filhos crescem sim. Podem acreditar. E mais rapidamente do que poderíamos supor. Algo que parecia tão distante mas que num piscar de olhos se torna uma realidade mais do que concreta e da forma mais irreversível possível. Onde estão as noites insones? O que aconteceu com os quartos bagunçados hoje tão imaculadamente limpos? Onde foram parar as festinhas infantis? Ou as broncas diárias para que se acordasse cedo para o colégio? O resultado tão esperado do vestibular saiu. A notícia do tão desejado primeiro emprego recebida com entusiasmo e euforia. Noivados e casamentos que se realizam de uma forma incrivelmente abençoada e feliz. Mudanças e transformações inevitáveis. O tempo passou rápido demais… E mais do que nunca uma mistura de sentimentos contraditórios parece apertar o coração de pais felizes e aflitos ao mesmo tempo. A alegria do crescimento, o alívio da sensação de dever cumprido, ao mesmo tempo em que a presença de uma casa imensamente solitária lhes faz pensar no quanto a vida se faz independente de nossos apegos.

Desde o nascimento de seus filhos pais dedicados se empenharam em lhes dar todas as condições necessárias para que pudessem se realizar plenamente em suas vidas. Os melhores colégios, os cursinhos de inglês e computação, as aulas de natação e esportes vários, tudo sendo proporcionado em cada idade e momento certo, para que seus rebentos pudessem crescer da forma mais preparada possível para um mundo altamente competitivo. A casa constantemente em movimento. Amigos indo e vindo, festas intermináveis, os primeiros namorados, a rotina de um vai-e-vem sem cessar. Momentos dos quais não temos a menor noção do quão fantásticos são, regados ao discurso sempre presente do ‘não vejo a hora de meus filhos se tornarem independentes’. Só que de fato um dia, sem que os pais possam ao menos notar, isso realmente acontece trazendo uma estranha sensação de susto e perplexidade. E isso porque ‘esqueceram de contar aos pais’ que os filhos crescidos e ansiando por experimentar a vida, partiriam inevitavelmente, sem ao menos pedir licença ou permissão. E aos pais resta somente testemunharem seus vôos rumo a destinos ignorados, e dos quais eles definitivamente não poderão fazer parte em sua totalidade.

A “síndrome do ninho vazio” significa toda uma tristeza com a qual os pais terão que inevitavelmente lidar. É como se um ‘novo parto’ estivesse acontecendo e mais do que nunca será preciso descobrir um novo sentido de vida e novos horizontes, superando a sensação de perda que parece não ter fim e que coisa alguma parece ter o poder de preencher. O que fazer com todo esse tempo à nossa frente e que precisa ser preenchido de uma forma feliz? No entanto exatamente porque a longevidade humana está gradualmente aumentando novos rumos e desafios a serem vencidos precisam ser construídos numa espécie de “adolescência tardia da terceira idade”, mas dessa vez com muito mais maturidade e bagagem de vida. E principalmente junto a tudo isso, a alegria de se estar ao lado dos filhos tão adultos e que felizmente, poderemos chamar de amigos. Eles são o nosso coração que se projetará mais além rumo às gerações futuras que um dia chegarão perpetuando o muito do que aqui deixarmos. E assim conquistamos através desse movimento eterno de crescimento e autonomia, e de uma forma tão bonita, a eternidade de nosso legado na Terra.

 

6 Responses so far.

  1. Meu Deus, o que dizer diante desta realidade expressa !! Não tenho filhos, mas percebo através dos sobrinhos, filhos e netos de pessoas tão ligadas à mim, onde crescemos juntos e agora já estão se tornando avós e notando, realmente, estas crianças crescerem e indo em direção de suas próprias histórias. Como voce disse minha amiga: é assusstador e da mesma forma tão gratificante em perceber quem ocupava aquele ninho, já criou asas.
    bj grande

  2. Maria Cleide Medeiros disse:

    Minha síndrome do ninho vazio, é as avessas. Tenho 3 filhos e só um casou-se. Moro com dois filhos, Hélio (45 anos) solteiro sem filhos. E minha caçula, Ana Paula (24 anos) mãe solteira e meu neto, seu filho, Victor. Que é a razão da minha vida. Dois anos e seus meses. Agora vou falar da minha síndrome. Venho de uma família de 18 irmãos. Cearense. Eu fui a única dos irmãos que abandonei, minha gente. Até hoje, após, 43 anos que sai de Fortaleza. Ainda sofro a falta dos meus irmãos. Tomo antidepressivos. Remédios pra dormir. Apesar de ir visitá-los, quase todos os anos. Sinto uma dor enorme no peito de Saudades! Grata pela atenção! Cleide Medeiros.

    • Cleide bom dia! Muito grata pelo seu comentário referente ao meu texto. Fico feliz com sua participação aqui. Hoje em dia podemos encontrar sim algumas famílias com a configuração que a sua tem, onde os filhos permanecem mais tempo com os pais. E essa parece ser a sua história.

      Imagino a saudade que bate em seu coração pela distância de sua família de origem. Isso pode ser bem doído sim, compreendo perfeitamente. Vc foi aquela que “bateu asas” rumo a realização de sua predestinação. Mas quando os sentimentos fortes de saudades surgirem, procure se lembrar do quanto foi importante para vc seguir seu coração naquele tempo. Muito provavelmente isso fez a mulher que vc é hoje.

      Um beijo muito carinhoso em seu coração!!

  3. Maria Auremir Medeiros disse:

    Sofro da típica síndrome do ninho vazio. Tenho quatro filhos. Três casados, mas todos moram foram da nossa cidade. Vive muitos anos parindo e cuidando de filhos. Seu texto descreve exatamente a minha vida. Meus filhos cresceram, casaram e né deram três netos. Mas todos fora da minha cidade. Morro de saudades e de melancolia pelo meu ninho vazio. Tenho meu marido, meu companheiro inseparável que também sente falta da alegria de ter uma casa barulhenta, cheia de crianças e adolescentes e seus amigos. Hoje a minha casa é silenciosa e asséptica…
    Luto para para preencher de alguma forma o imenso vazio desse ninho.
    obrigada pela atenção.

    • Maria Auremir querida muito grata por sua mensagem. Entendo perfeitamente sua sensação de melancolia e principalmente de nostalgia dos filhos crescidos que se vão nas estradas da vida. Mas é preciso que busquemos o conforto na certeza de um dever muito bem cumprido e na satisfação plena de termos criados pessoas de bem. Isso por si só já preenche o coração. Fique bem e em paz! E a minha gratidão por sua mensagem e participação aqui no site

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