Síndrome do Ninho Vazio: O Que Fazer Quando Os Filhos Crescem? (Junho de 2010)

O resultado tão esperado do vestibular saiu, ou a notícia do tão desejado emprego em outro estado ou país foi recebida  e mais do que nunca uma mistura de sentimentos contraditórios parece apertar o coração de pais felizes e aflitos ao mesmo tempo. Desde o nascimento de seus filhos eles se empenharam em lhes dar todas as condições necessárias para que pudessem se realizar plenamente em suas vidas. Os melhores colégios, os cursinhos de inglês e computação, as aulas de natação e ginástica, tudo sendo proporcionado em cada idade e momento certo, para que seus rebentos pudessem crescer da forma a mais preparada possível para um mundo altamente competitivo.

A casa constantemente em movimento, amigos, namorados, festas intermináveis e encontros regados ao discurso sempre presente de ‘não vejo a hora de meus filhos se tornarem independentes’. Só que de fato um dia, sem que eles pudessem ao menos notar, isso realmente aconteceu trazendo uma estranha sensação de susto e perplexidade, pois ‘esqueceram de contar aos pais’ que seus filhos crescidos e ansiando por experimentar a vida, partiriam inevitavelmente, sem ao menos pedir licença ou permissão.

É como se um ‘novo parto’ estivesse acontecendo e mais do que nunca será preciso aprender a lidar com a sensação de um imenso vazio que parece não ter fim e que coisa alguma parece ter o poder de preencher. A “síndrome do ninho vazio” corresponde a uma dificuldade em se lidar com a ausência dos filhos quando eles se tornam independentes, momento em que a falta começa a ser sentida de forma extremamente intensa chegando a doer, pela presença de sentimentos de perda e de tristeza profunda, uma sensação de inutilidade, desânimo e de falta de objetivo.

Mais do que nunca é o momento de diálogo, acolhimento, criação de novas atividades e estabelecimento de novos objetivos. No entanto se para alguns casais a “síndrome do ninho vazio” chega com amargo sabor, para outros isso não vai apresentar um impacto tão grande existindo algumas razões para isso. A maternidade tardia tem permitido a muitas mães a realização profissional que as mantém ativas mesmo depois do nascimento de seus filhos, o que sem dúvida alguma vai lhes trazer o enorme benefício de poderem desenhar uma vida para si mesmas que continua para além do inevitável momento de separação mãe-filho.

Por essa razão os sentimentos de vazio e tristeza são mais intensos exatamente para aquelas mães que não desenvolveram outros papeis além da maternidade, problema que pode se agravar com a chegada da menopausa quando os indícios físicos do fim da possibilidade de uma nova gestação se tornam mais do que evidentes. Um outro aspecto que também não deve ser esquecido é que embora esses sentimentos de perda sejam mais visivelmente percebidos nas mulheres, os homens sentem o mesmo ainda que demonstrem uma dificuldade maior em falarem de suas emoções.

E é justamente nesse momento que os casais precisariam se voltar mais um para o outro, compreendendo e aceitando os novos desafios de reviverem o “enfim sós” de tantos anos antes de forma criativa e saudável, lembrando sempre que a capacidade de criar novas realidades e realizar sonhos mais do que um dever é um direito infinito.

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