SOMOS GADO OU REBANHO?

rebanhoUsualmente quando estou dando aula, ou até mesmo conversando com um aluno ou cliente, é como se certos pensamentos surgissem de uma maneira muito surpreendente, meio que “não sei de onde”, trazendo uma nova contextualização ao assunto, ou então me fazendo entrar em contato com novas perspectivas de visão da realidade. E foi o que aconteceu com uma aluna muito querida que está agora em vias de iniciar o Mestrado em Reiki, quando em conversa com ela sobre um sonho tido naquela noite, de conteúdo bastante impressionante pela riqueza de detalhes e aspectos simbólicos, e que buscávamos interpretar. Um sonho de qualidade claramente espiritual onde os ‘véus entre as realidades materiais e espirituais’ se “esgarçam”, por assim dizer, e muito é revelado.

Em nosso bate papo trocamos algumas impressões sobre o quanto nossa Humanidade vem há tantos e tanto milênios se debatendo com os mesmos erros e as mesmas dificuldades. E nisso não vai nenhuma crítica a quem quer que seja, pois só eu sei como é difícil superar nossos obstáculos internos. Sei perfeitamente bem, por experiência própria, o quanto podemos levar vidas e vidas para avançarmos apenas alguns centímetros dessa estrada infinita! Mas voltando à minha conversa com minha aluna e seu sonho, uma imagem muito clara me foi apresentada. Sou muito visual e imaginativa e frequentemente certas mensagens e conteúdos vão surgindo tal qual um filme nas telas de minha mente. Quero deixar claro que o que vou aqui escrever é muito mais uma ‘licença poética’ do que propriamente uma descrição concreta e objetiva das coisas que acontecem em nossa vida cotidiana. Vi como que dois grupos de animais. Um que era conduzido amorosa e suavemente tal qual rebanho, por um pastor paciente e compassivo. E outro grupo que era simplesmente ‘tocado’ como gado, não por descuido do condutor, mas porque era simplesmente a forma como ele sempre soube fazer as coisas. E nesse espírito, pois nunca havia pensado assim, me perguntei: ‘o que somos, gado ou rebanho?’ E num sentido muito humano e espiritual ao mesmo tempo, pude perceber que a diferença entre um estado e outro, não está na forma como o condutor age, mas sim na forma como nos colocamos perante a vida, o que irá fundamentalmente determinar absolutamente tudo.

E isso nada tem a ver com condições sócio-econômicas, pois já vi pessoas muito simples com uma dignidade impressionante, e pessoas ‘bem de vida’ com baixíssima auto estima! Ou com beleza e feiúra, com o que se veste, o que se compra ou onde se mora, mas sim com o respeito que se tem por si mesmo, com o gostar de si próprio, com o acreditar na vida e nela se ter fé de forma incondicional. E vejo também como o pilar fundamental de sustentação do que aqui desejo argumentar, a profunda e inabalável consciência de quem se é. E essa autoconsciência não ‘cai do céu’, mas é conquistada dia a dia, momento a momento, quando buscamos olhar para dentro de nós sem medo, limpando os porões de nossas memórias, as janelas de nossa existência e abrindo as portas de nossa alma para o que de mais bonito somos capazes de produzir. E antes de encerrar meu texto, gostaria de acrescentar um outro aspecto que considero de suma importância. Diferentemente do gado que simplesmente ‘se deixa levar’, inconsciente do que está acontecendo, o rebanho confia nesse Pastor, que para mim é o Sagrado em sua plenitude infinita,  e sabe que ele o conduzirá para vales verdejantes de águas límpidas. Ele sabe a importância que tem para aquele que o conduz, que tudo fará para protegê-lo e dar o melhor de si. Uma parceria tão bela quanto fundamental para a harmonia de nossa existência. E que delícia saber que cabe a cada um de nós a escolha de qual grupo faremos parte!

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