Somos vulneráveis sim… até a página 2

bebêSe existe um ser na Natureza que seja absolutamente vulnerável e dependente de cuidados externos desde seu nascimento e por muitos longos anos somos nós seres humanos. A Evolução dos Seres buscando trazer o que temos de melhor, em um alto grau de sofisticação e refinamento de nossas melhores qualidades, assim estruturou o nosso desenvolvimento. São necessários muitos e longos anos para que possamos estar aptos a viver de uma forma realmente independente e autônoma. Se por um lado esse processo nos dá tempo de irmos desabrochando aquilo que é necessário, guiados pela tão desejada segurança provida pelos pais e familiares, por outro lado podemos ‘pagar um preço’ bastante razoável por essa sensação de segurança que buscamos a todo custo reativar e reviver em diversos momentos de nossas vidas.

Não existe nada mais assustador e terrível para uma criança pequena do que a simples hipótese de perder o amor de seus pais. E esse sentimento está presente sim desde o início de sua vida, quando o pequeno bebê chora inconsolável no berço, sem saber o porquê de sua mãe demorar a surgir e salvá-lo de perigos que para ele surgem como inimagináveis e devastadores. Seu pequeno corpo ainda está tentando entender a dor que ele sente quando está com fome, e os desconfortos físicos de um espírito recém-encarnado que busca se adaptar a uma nova realidade. E aí finalmente nossa tão aguardada “salvadora” chega nos inundando com o prazer de seu leite e de sua presença. Tais oscilações entre dor e prazer associadas a um sentimento de que estamos impotentes e à mercê de terceiros, podem não ser lembradas de forma consciente pela nossa mente adulta, mas as consequências desse período de vida estarão sempre presentes, de uma forma ou de outra, reverberando em nossa vida futura.

Enquanto adultos não nos lembramos dessa época que com certeza fica guardada em algum canto de nós mesmos. No entanto os sentimentos a ela associados podem continuar a atuar de uma forma um tanto quanto desestabilizadora, em maior ou menor grau, caso não tenham sido adequadamente resolvidos e ultrapassados. Muitas vezes situações concretas de abandono e separação realmente aconteceram, mas por razões intrínsecas e inerentes a cada criança, ela se torna um adulto que apesar das privações emocionais cresce fortalecido e seguindo adiante. Em outros momentos mesmo contando com pais extremamente amorosos e presentes, a criança por razões que cabem somente às suas características inatas de personalidade explicar, vai se ressentir daquilo que ela considerou uma rejeição e um abandono imperdoáveis. Cada pessoa é um Universo em si mesmo e irá reagir de uma maneira totalmente única.

Dessa forma, para que possamos readquirir a tão desejada segurança emocional, iremos frequentemente construir estratégias que busquem responder a essa finalidade. E uma delas é deixamos de ser quem somos em essência, para agradar àquilo julgamos ser a expectativa do outro. Essa ‘manobra tática’ pode até funcionar no início, nos dando a sensação de que estamos no controle da situação e seguros de nossos fins e finalidades. Mas com o passar do tempo a Alma vai se ressecando, o Espírito empobrecendo e a vida perde sua cor e sentido.

Costumo dizer que algumas coisas na vida são negociáveis. Outras não. E não se pode negociar com a Alma ou barganhar com nosso Destino, sem que inexoravelmente estejamos ‘morrendo um pouquinho a cada dia’. E qual a saída para isso? Por mais tentador que seja dar a minha resposta pessoal, fruto de toda uma vida muito bem vivida apesar de seus altos e baixos, entradas e saídas e buscas infindáveis, só me resta deixar hoje como “dever de casa” a todos que lerem meu texto, que busquem no mais íntimo de seus seres a reposta para tal pergunta. Quando isso começa a ser feito, aí sim, vamos encontrar de fato e de verdade a Luz que nunca se apaga dentro do mais profundo de nossos corações, e a certeza inabalável de que somos menos vulneráveis do que pensamos e muito mais fortes do que jamais sonhamos nos tornar ou vir a ser um dia.

2 Responses so far.

  1. Germana disse:

    Preciso sim de ajuda pois estou passando por noites escuras. Peço oracao

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