Sonhos: dos oráculos da grécia antiga ao divã do analista? (Publicado em outubro de 2006)

O ato de sonhar é uma das características humanas que mais têm despertado fascinação e curiosidade. O ser humano em sua incessante busca por entendimento dos fenômenos da vida física, tem procurado entender e explicar as origens dos sonhos de diversas maneiras: os sonhos enquanto mensagens divinas, premonições, avisos e num sentido mais psicológico e científico da atualidade enquanto mensagens do inconsciente. Na Grécia Antiga algumas tradições de Cura estavam associadas à realização de certas atividades e rituais dentro dos Oráculos, locais para onde os peregrinos se dirigiam em busca de orientação e auxílio para os problemas de saúde e da vida diária. No Oráculo de Delfos o contato com o mundo divino era realizado através das pitonisas, mulheres que por seus poderes de clarividência atuavam enquanto as ‘porta-vozes’ das mensagens enviadas pelos deuses. As mensagens recebidas pelas pitonisas em transe eram então interpretadas pelos sacerdotes e o peregrino podia através desse processo, encontrar as respostas e orientações de que necessitava. Já no Oráculo de Esculápio o processo ocorria de maneira diferente. Os peregrinos passavam inicialmente por uma série de tratamentos preparatórios que envolviam dietas especiais, banhos purificadores e a realização de oferendas aos deuses. À noite, deitado no chão com o ouvido voltado para a terra, o peregrino sonhava o ‘sonho de Cura’ ou sonho incubatório, que lhe ofereceria a “chave” para o entendimento de suas aflições, doenças e dificuldades. Os antigos gregos acreditavam que através da prática do sonho incubatório, os aspectos mais conflitantes da vida do indivíduo poderiam ser interpretados e esclarecidos. Todavia, essa interpretação era realizada pelo próprio indivíduo e não mais pelo sacerdote.

Nas culturas nativas os xamãs são aqueles que possuem o acesso à dimensão do Sagrado, conduzindo outros membros do grupo a estados de consciência alterados, através de práticas ritualísticas especiais. Nessas comunidades os sonhos possuem uma relação com o mundo mágico enquanto uma ponte para a comunicação com os mortos e com entidades míticas ou divinas. Da mesma forma como acontecia na Grécia Antiga, o conteúdo divino dos sonhos também pode ser interpretado pelo sacerdote ou xamã.

Em sua obra A Interpretação dos Sonhos, publicada em 1900, Sigmund Freud afirma que “o sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”. Para ele os sonhos expressariam a tentativa de realização de um desejo reprimido pelo inconsciente, desejo esse que por apresentar um conteúdo sexual ou proibitivo, encontrariam sua expressão somente através dos sonhos. Os sonhos são na maioria das vezes, incompreensíveis e causam uma sensação de estranheza por esconderem um sentido oculto que pode ser desvendado pela interpretação realizada pelo terapeuta.Quando comparamos o processo do sonho incubatório dos oráculos e a psicoterapia moderna, podemos perceber que em ambos os processos, cada indivíduo se torna responsável por encontrar ele mesmo, as respostas para os seus questionamentos, e os sonhos, embora entendidos de formas diferentes quanto à sua origem, se apresentam como uma possibilidade de entendimento das questões emocionais. O trabalho terapêutico pode ser percebido, de certa forma, como uma síntese entre as tradições do sonho incubatório e a função dos sacerdotes das culturas nativas.Psicólogos e psicanalistas são nossos ‘sacerdotes e xamãs modernos’, levando seus pacientes a uma “jornada de cura” onde a interpretação dos sonhos dentro de uma terapia pode revelar questões inconscientes. Vale a pena notar que num contexto terapêutico a interpretação de sonhos deixa de fazer parte do âmbito mágico-místico, tornando-se objeto de estudo das comunidades científicas.

Mais recentemente estudos sobre Medicina Vibracional apontam para novas perspectivas a respeito das origens dos  sonhos. Dr. Richard Gerber  em seu livro ‘Um Guia Prático de Medicina Vibracional’, afirma que o ser humano funciona a partir de duas dimensões, o Ego ou personalidade consciente, que lida com os aspectos de nossa vida física, e o Eu Superior ou “Eu Verdadeiro”, que lida com os aspectos de nossas vidas espirituais. O Eu Superior comunica-se com a nossa personalidade consciente de diversas maneiras e os sonhos são uma das formas pelas quais importantes conteúdos não só emocionais mas também espirituais, são transmitidos e comunicados aos indivíduos. Nesse sentido, segundo a abordagem da Medicina Vibracional, os sonhos se apresentam enquanto mensagens oriundas não só das dimensões inconscientes da nossa personalidade, mas também das dimensões espirituais, divinas e energéticas de nosso ser.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *