Tarot: uma jornada pelo autoconhecimento? (Janeiro de 2010)

Um novo ano se inicia e nos percebemos em duas condições aparentemente opostas, mas que na verdade são bastante complementares. Celebramos as conquistas realizadas, os sonhos frutificados e os planos que deram certo, ao mesmo tempo em que revemos alguns de nossos atos passados cujos resultados não foram os desejados, e projetos que tinham tudo para acontecer, mas que tiveram que ser adiados. Na virada do ano toda uma energia de renovação é colocada em movimento e inevitavelmente temos a sensação de uma urgência de escolhas somente comparável aos momentos em que passamos por grandes transições na vida. E é nessa atmosfera que os indivíduos parecem ‘olhar para os céus’ em busca de orientação e segurança quanto à expectativa de um novo ano que se inicia, cheio de promessas renovadas e esperanças refeitas, mas recheado das tão comuns incertezas presentes em novos começos. A maior angústia do ser humano é não ter controle sobre seu futuro, ou previsibilidade sobre seu amanhã, e sendo assim os indivíduos muitas vezes procuram encontrar respostas que tragam um maior nível de segurança para o seu viver.

Instrumentos como o Tarot, Runas, Baralho Cigano, I Ching e também a astrologia, entre outras ciências esotéricas, têm sido procurados por indivíduos de todos os tempos e culturas, na tentativa de melhor entender, mas principalmente controlar um destino sentido como imprevisível. Hoje tenho como objetivo falar um pouco do Tarot não como um “oráculo de predição do futuro”, mas enquanto valioso instrumento para uma jornada de autoconhecimento. Embora existam muitas especulações a respeito, as verdadeiras origens do Tarot ainda permanecem um mistério. Existem suposições de que suas cartas teriam sido elaboradas por sábios ocultistas do passado, que prevendo um ciclo de decadência moral e espiritual da humanidade, elaboraram, condensaram e transferiram um conhecimento muito profundo para suas lâminas, possibilitando a preservação desse conhecimento sagrado em segredo, evitando-se dessa forma que pudesse cair nas mãos de pessoas erradas. O Tarot nos fala através de uma linguagem que emerge da mente coletiva do homem, cujos símbolos, desenhos e figuras de caráter bastante simbólico e arquetípico, nos remetem a verdadeiros portais de acesso para dimensões de nosso inconsciente.

Embora a princípio ele possa parecer um mero instrumento de distração e passatempo, na verdade seu sentido mais profundo está muito longe disso. Ele apresenta significados de caráter bastante universal sendo esse o aspecto que atraiu estudiosos e investigadores de sólido embasamento científico como Carl Jung, que considerou o Tarot como um instrumento de “mergulho no inconsciente individual e coletivo”. Dessa forma a partir do momento em que entendemos o Tarot não como algo que nos trás o que está ‘escrito nas estrelas’, mas como uma possibilidade de darmos um mergulho muito profundo em nossa vida emocional, podemos encontrar a força verdadeira para um melhor posicionamento em nossas vidas. Se entendermos mais claramente que cabe a cada um de nós escrevermos as linhas de nossos próprios destinos de uma forma progressivamente mais consciente, o Tarot se apresentará então muito mais como uma ‘bússola para o autoconhecimento’, do que propriamente um meio para a predição de fatos futuros. E é nesse processo fascinante da busca de nós mesmos, que temos todas as condições a nossa disposição para fazermos desse ano novo que apenas acabou de começar, algo grandioso e que realmente valha à pena.

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