Violência doméstica: o silêncio daqueles que não conseguem se defender (Maio de 2008)

A violência doméstica é um problema de graves conseqüências sociais e emocionais, que atinge milhares de pessoas, crianças, mulheres e adolescentes, de todas as camadas sociais, independente de credo, raça ou condição intelectual. Por esse motivo, é importante levarmos em consideração que a violência doméstica possui muito mais raízes em aspectos emocionais e de dinâmicas familiares, do em questões econômicas ou sociais propriamente ditas. A vítima da agressão doméstica usualmente apresenta uma auto-estima muito baixa, um sentimento de menos valia e de ausência de um fortalecimento pessoal bastante acentuados, o que permite ao agressor a continuidade dos atos praticados. Nesse sentido,  as ‘cadeias emocionais’ nas quais a própria vítima se coloca, somente poderão ser rompidas se houver a crescente percepção de que uma outra realidade seja possível.

Cada vez mais as conseqüências trágicas do abuso e da violência familiar vem sendo tanto objeto de estudo das áreas acadêmicas, quanto assunto constantemente comentado pela mídia, que se encarrega de trazer ao conhecimento do grande público, as situações absolutamente deploráveis a que muitas pessoas vêm sendo submetidas. O mais trágico da violência doméstica é que ela ocorre de forma silenciosa, passando muitas vezes completamente despercebida pelos próprios familiares. O silêncio de suas vítimas é mantido pelo temor que elas sentem quanto a possibilidade bastante concreta e real de um aumento na freqüência e intensidade dos atos de violência praticados. Infelizmente esse silêncio serve apenas de estímulo ainda maior para que o agressor acredite que suas ações permanecerão impunes e que nunca será responsabilizado pelo que faz. Nem sempre a violência doméstica é praticada de forma direta através da agressão física.

Muito freqüentemente ela é feita de uma forma indireta, através de um tipo de violência de ordem psicológica ou emocional, caracterizada por atos extremos de rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas que deixará cicatrizes emocionais bastante profundas por toda a vida. Um outro tipo de violência que não deixa marcas observáveis, mas que nem por isso seja menos danosa, é a violência verbal, que pode ser também considerada um tipo de violência psicológica. Ela se caracteriza não só pela presença de palavras ofensivas, mas pelo silêncio do agressor como forma de controle e manipulação psicológica de sua vítima. A violência doméstica pode ser basicamente caracterizada como a violência que atinge mais freqüentemente a mulher e a criança. Os resultados encontrados em pesquisas são alarmantes.

Segundo dados de levantamentos feitos em 1997, estima-se que diariamente 18 mil crianças e adolescentes sejam espancados no Brasil, sendo que 64% das mortes de crianças e adolescentes é provocada pela violência doméstica. Na agressão contra a mulher, na maioria dos casos os agressores são homens (67%), usualmente cônjuges ou ex-cônjuges da vítima, portadores de transtornos de personalidade bastante graves, muitas vezes associados ao uso de drogas e álcool. A violência doméstica é um assunto bastante complexo, cuja solução não é tão simples assim, mas que começa com todo o movimento de denúncias e questionamentos que estamos assistindo nos dias de hoje.

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