Você pode não acreditar, mas se tornar adulto “de verdade” tem inúmeras vantagens!

Nos últimos tempos tenho repetido com uma certa regularidade por conta de meus atendimentos a jovens, que  “sou de uma outra geração”. E não desejo cair no padrão-clichê de me sentir ultrapassada ou coisa que o valha, ou falar nostalgicamente sobre os ‘bons tempos de outrora’ em oposição ao momento presente. Ou de nutrir o pensamento de que só o que é ‘antigo’ tem valor e vale à pena. De forma alguma! Mas me vejo na necessidade de nesse momento trazer para o nosso foco de atenção algumas questões importantes a serem refletidas.

Tenho visto com crescente perplexidade em meus atendimentos e na minha prática clínica, situações que tem me preocupado bastante, e que tenho denominado de “reações emocionais motivadas por uma espécie de medo da vida”. Medo da vida? Como assim? Vocês podem me perguntar. E por mais estranho que possa parecer, essa é a sensação que tenho tido.  Estamos diante não só das questões emocionais que desde sempre acompanharam os seres humanos, mas também de uma crescente dificuldade desses jovens adultos em encararem seus desafios rumo a uma maturidade plenamente vivida. E é exatamente essa questão última que tem me trazido uma preocupação bastante grande diante do rumo que as coisas vêm tomando, e que me motivou a escrever esse texto.

Vejo o medo estampado no rosto de mulheres jovens que falam de uma gravidez como se fosse algo de “outro mundo”, quase que uma ‘doença contagiosa’ que não querem pegar. Vejo jovens assustados sem saber qual o rumo precisam dar em suas vidas, como se um segredo mágico precisasse ser descoberto numa espécie de “abracadabra” que tudo resolve, sem a participação consciente e uso de seu livre arbítrio. E tenho presenciado jovens que por vezes na faixa dos 30 anos, como que prisioneiros de uma adolescência que nunca termina, ainda questionam quais os rumos a serem tomados em relação a profissão e carreira. E tenho visto jovens que namoram há algum tempo, postergando a decisão de se casarem ou viverem juntos, como se a vida pudesse ser esticada indefinidamente, já que sair da casa de “papai e mamãe”, é quase como se fosse uma “realidade alienígena desconcertante”. E tenho observado o quanto apesar de uma grande liberdade sexual adquirida há décadas atrás, existe (infelizmente!) uma multidão crescente de mulheres que se sentem infelizes e não realizadas, incrivelmente doídas e perturbadas, com a falta de comprometimento nas relações. E me pergunto aonde tudo isso vai parar, pois sou de ‘um tempo’ em que demorávamos anos para comprarmos um telefone. Andávamos de ônibus porque a aquisição de um carro era algo a ser sonhado apenas. Escrevíamos a mão nossos trabalhos de escola e íamos à biblioteca em reuniões de grupo no final da aula. Bens de consumo eram geladeira e fogão, e palavras como namorar e noivar faziam parte de nosso dia-a-dia. E a vida se fazia simples assim.

Não estou querendo dizer que devemos retroceder no tempo e deixar de lado todas as comodidades tecnológicas a que já estamos acostumados, inclusive eu! Mas há que se compreender que tudo aquilo que veio para nos facilitar a vida em nossa “adultice”, está trazendo o outro lado da moeda, quando temos jovens que apresentam tanta dificuldade em lidarem com frustração, em aceitarem perdas e limites, em respeitarem hierarquias, e a aceitarem que para tudo existe um tempo, e que esse mesmo tempo se traduz em conquistas permanentes, onde teremos principalmente os valores eternos da alma preservados.

Meu trabalho além de ser o de uma escuta diferenciada com objetivos terapêuticos, tem sido também o de auxiliar esses jovens a se confrontarem com a necessidade de abraçarem sua própria maturidade com auto-estima, amor próprio, coragem, ousadia e determinação, saindo das trincheiras de suas ‘zonas de conforto’ que acabam se tornando ‘becos sem saída’. E isso se faz galgando degrau a degrau no aumento de responsabilidades que podem ser trabalhosas, mas que são o passaporte para uma realização enquanto ser total.  E com toda a amorosidade possível, mas cutucando pra valer esses jovens, vou realizando meu trabalho!

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